Série de estudos da OMS
alerta que abusos físicos, emocionais e sexuais contra meninas e
mulheres ocorrem em nível 'inaceitável' e cobra mais ações para combater
o problema
Ativista segura cartaz em passeata contra a violência
doméstica contra a mulher, durante o Dia Internacional da Mulher em
Beirute, no Líbano
(Jamal Saidi/Reuters/VEJA)
A Organização Mundial da Saúde estima que mais de 30% das mulheres
no mundo todo foram vítimas de violência conjugal e 7% sofreram abusos
sexual cometidos por estranhos. Em uma série de estudos plubicada esta
semana, a OMS ressalta que os abusos físicos, emocionais e sexuais
cometidos por parceiros representam o tipo mais comum de violência
contra as mulheres, que também são vítimas de
crimes de honra,
casamentos precoces forçados, mutilação genital, entre outras
agressões. A organização faz ainda um alerta: pouco está sendo feito
para mudar uma situação problemática, que atinge vários países ao redor
do mundo. Apesar da maior atenção dada nos últimos anos à violência
contra mulheres e meninas, esta ainda se mantém em níveis
"inaceitáveis", segundo a organização.
Em todo o mundo, entre 100 e 140 milhões de mulheres jovens e adultas
sofreram mutilações genitais
nos anos recentes, uma das práticas mais desumanas que se pode
conceber, destinada a impedir que a mulher tenha prazer. Além disso,
mais de 3 milhões de garotas correm o risco de serem submetidas à
prática todos os anos, só na África. Dados divulgados em 2012 também
apontam que aproximadamente 70 milhões de meninas se casaram antes dos
18 anos, frequentemente contra a sua vontade.
No caso dos crimes de honra, o levantamento destaca os 1.957 casos
registrados no Paquistão entre 2004 e 2007 e os mais de 900 ocorridos
todos os anos nos Estados de Haryana, Punjab e Uttah Pradesh, na Índia.
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Saúde pública – A violência, "exacerbada durante os
conflitos e as crises humanitárias", tem consequências dramáticas para a
saúde mental e física das vítimas, destaca a OMS, cobrando mais ações
para enfrentar o problema.
“Globalmente, uma em três mulheres vai ser alvo de violência sexual
por parte do parceiro ou de desconhecidos ao longo da vida, o que mostra
que mais investimentos são necessários na prevenção. Precisamos
definitivamente fortalecer os serviços destinados às mulheres vítimas de
violência, mas, para fazer a diferença na vida de mulheres e garotas,
devemos trabalhar no sentido de alcançar a igualdade de gêneros e
prevenir a violência antes mesmo de ela começar”, explicou Charlotte
Watts, professora da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres e
uma das organizadoras dos estudos.
"Nenhuma varinha de condão poderá suprimir a violência contra as
mulheres. Mas temos provas de que é possível promover mudanças na
mentalidade e no comportamento, em menos de uma geração", completou a
especialista.
A organização das Nações Unidas reivindica um maior investimento de
países e doadores para reduzir a discriminação contra as mulheres,
destacando que este não é apenas um problema social e criminal, mas
também um tema de saúde pública.
"O pessoal da área de saúde costuma ser o primeiro contato que as
mulheres vítimas de violência têm", disse a doutora Claudia García
Moreno, encarregada da pesquisa de violência contra as mulheres na OMS.
Por isso, explicou, os trabalhadores da área precisam de uma formação
adequada para lidar com esses casos.
Ações – Cinco formas de acelerar os esforços de
combate aos abusos são apontadas pela OMS. Os Estados deveriam destinar
mais recursos para tornar o tema uma prioridade, reconhecendo que ele
representa um freio para o desenvolvimento e o acesso à saúde. Ao mesmo
tempo, os elementos que perpetuam a discriminação entre os sexos, tanto
nas leis quanto nas instituições, deveriam ser eliminados.
A promoção da igualdade, do comportamento não violento e a não
estigmatização das vítimas também é uma necessidade, afirmaram os
autores. A adoção de leis preventivas apoiadas na saúde, na segurança,
na educação e na justiça também contribui para a mudança de atitudes.
Finalmente, os países deveriam favorecer os estudos e pôr em prática
com mais rapidez as medidas que se revelarem mais eficazes na luta
contra a discriminação de gênero.
(Com agência France-Presse)
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