Supostos confrontos entre policiais militares e parte da população
civil deixam 50 mortos no Estado de São Paulo todos os meses. São cinco
PMs e 45 civis mortos, em média.
É o que revela um rastreamento sobre a letalidade dos PMs de SP feito pelo
R7
em dados do Setor de Inteligência e da Corregedoria (órgão
fiscalizador) da corporação. Os números vão de julho de 1995, quando o
governo paulista passou a divulgar estatísticas trimestrais sobre a
criminalidade no Estado, até julho deste ano.
Ao todo, os supostos enfrentamentos entre PMs e parte da população
civil fizeram 11.569 mortos —10.379 civis e 1.190 PMs. A média de 45
civis mortos por PMs ao mês considera casos nos quais eles matam em
supostos tiroteios durante o trabalho e também durante a folga. Podem
ser crimes motivados por questões passionais, brigas de trânsito, de
bar, vinganças etc.
Mortes como a do camelô Carlos Augusto Muniz Braga, 30 anos,
quinta-feira (18), na Lapa, zona oeste de São Paulo, e também como a do
motoboy Alexandre Menezes dos Santos, 26 anos, na véspera do Dia das
Mães de 2010, ficam fora das estatísticas trimestrais da letalidade
policial da Secretaria da Segurança Pública da gestão de Geraldo Alckmin
(PSDB).
Em maio de 2010, Alexandre Santos foi morto por quatro PMs na frente de
sua mãe, quando voltava do trabalho de entregador de pizza.
Para Marluce Oliveira, 59 anos, tia do motoboy, não considerar a morte
do sobrinho resultado da letalidade policial, mas um homicídio doloso
convencional, que é para onde vão os casos não mostrados pela Segurança
Pública como resultado da violência policial, só agrava o medo de
parcela considerável da população sobre os métodos de ação da polícia.
— É por isso que a maior parte das pessoas que moram na periferia e são
negras têm tanto medo da Polícia Militar de São Paulo. Os PMs são
extremamente violentos e o Estado ainda esconde o que eles fazem.
PMs aplicam 'mata-leão' e motoboy morre na frente da mãe
PMs de SP matam 5 pessoas a cada 2 dias
Os dados do Setor de Inteligência e da Corregedoria da PM sobre a
letalidade dos PMs divergem dos apresentados trimestralmente pela
Segurança Pública. Em seu
site,
a pasta divulga somente as mortes cometidas por PMs durante o horário
de trabalho e classificadas hoje como “mortes em decorrência de
intervenção policial”, antes as chamadas “resistência [à prisão] seguida
de morte”. Os homicídios dolosos cometidos por PMs, como a morte do
motoboy Alexandre, são diluídos entre assassinatos protagonizados por
cidadãos comuns, mesmo quando os policiais usam armamento do Estado.
Pelos dados apresentados pela Segurança Pública, de julho de 1995 a
julho deste ano, PMs mataram 8.453 pessoas no Estado de São Paulo. Os
1.926 homicídios dolosos que tiveram PMs como autores, localizados pelo
R7,
não
são mostrados como parte da letalidade policial pela pasta estadual. A
omissão dos homicídios dolosos representa 18,5% do total de mortos por
PMs em São Paulo.
A mesma lógica de só apresentar em suas estatísticas trimestrais as
mortes que têm PMs no horário de trabalho como autores também é adotada
pela Segurança Pública quando os policiais são mortos fora do horário de
trabalho. A pasta mostra em seu site 480 PMs mortos durante o trabalho;
outros 710 assassinatos de policiais militares, ocorridos entre julho
de 1995 e julho deste ano, durante o momento em que as vítimas não
faziam trabalhos oficiais para a corporação, ficam fora das amostras da
violência contra PMs.
Governo de São Paulo não se manifesta sobre mortes envolvendo PMs
Desde o dia 15, o
R7 tenta entrevistar representantes
da Secretaria da Segurança da gestão de Geraldo Alckmin (PSDB) e um
representante do Comando-Geral da PM sobre a letalidade envolvendo PMs
como autores ou como vítimas, mas a pasta não atendeu ao pedido.
Ao longo da última semana, a Segurança Pública informou quatro vezes
que pretendia atender ao