Tudo começou como uma brincadeira no fundo de quintal
Já pensou em tocar uma guitarra ou contrabaixo elétrico sustentável,
feito a partir de resíduos de madeiras da Amazônia, que seriam
incinerados? Isso já é possível. Dois jovens luthiers de Rio Branco
(AC), Rafael da Silva e Bruno Sá, estão realizando essa façanha. Os
instrumentos são bonitos, possuem sonoridade diferenciada e muita
personalidade. A produção é artesanal e customizada. As madeiras
utilizadas são mogno, cerejeira, sucupira e paxiúba. Em média, uma
guitarra leva três meses para ser construída. O preço de uma fica em
torno de R$ 2 mil.
Bruno é músico, toca guitarra e violão na noite de Rio Branco e
Rafael, marceneiro. Ambos são luthiers autodidatas. Juntos constituíram
um empreendimento inédito na Amazônia: a Luthiacre BSA.
“A galera de fora do Acre gosta muito dos nossos instrumentos”, diz
Rafael. “Nosso objetivo é construir guitarras e baixos como obras de
arte da Amazônia. As madeiras que usamos criam sonoridade diferente,
outro timbre para os instrumentos”, observa.
No início, Rafael e Bruno apenas consertavam e faziam manutenção de
instrumentos para músicos da capital acreana. Com o tempo, surgiu a
ideia de fabricar guitarras e contrabaixos elétricos, utilizando os
resíduos de madeira abundantes em marcenarias, madeireiras e até nas
ruas da cidade.
“Tudo começou como uma brincadeira no fundo de quintal. Nunca imaginei
que ia trabalhar como luthier”, diz Bruno. Ele conta que tinha ideias
de pintura e customização de guitarras e baixos e, conversando com
Rafael, surgiu a parceria.
Há um ano e meio, a Luthiacre se estabeleceu oficialmente no mercado e
funciona na frente da casa de Rafael. “Saímos do fundo de quintal”,
comemora Bruno. Um banner sinaliza o empreendimento, que ainda faz
reformas e manutenção de instrumentos musicais.
A fabricação de guitarras e contrabaixos corresponde a 50% dos negócios
da microempresa. O circuito elétrico dos instrumentos é adquirido em
lojas de Rio Branco ou via internet, esclarece ele.
Divulgação
A Luthiacre participou da ExpoAcre 2012, em julho passado, e conseguiu
muita divulgação na mídia regional. “Essa feira do Sebrae abriu portas
para nós”, diz Bruno.
Até o momento, a dupla fabricou doze instrumentos musicais, cuja
maioria foi adquirida por músicos acreanos. Duas guitarras foram
encomendadas por músicos cariocas e já estão na cidade maravilhosa.
“Estamos explorando a sonoridade das madeiras da Amazônia e está sendo
um sucesso. Nós usamos até nós de madeira nos instrumentos, que têm
design muito bonito e geralmente são descartados e viram fumaça”,
complementa.
“Nossa maior vontade é expandir a clientela. Muita gente se liga em
marca, mas há quem goste de instrumentos personalizados e feitos por
luthiers”, ressalta Bruno. Os dois empreendedores adquiriram máquina
para cortar madeira, recentemente, e pretendem continuar investindo em
equipamentos. Um funcionário foi contratado para ajudar na produção de
guitarras e baixos elétricos sustentáveis da Luthiacre. (
https://www.facebook.com/pages/Luthiacre-BSA/483716974995941)