terça-feira, 19 de maio de 2015

Carqueja e seus benefícios

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A Carqueja (a carqueja portuguesa é a Pterospartum tridentatum (L), é uma leguminosa que cresce em Portugal, principalmente nas serras do interior Norte e Centro.
Na primavera, esta planta atinge o seu clímax e presenteia-nos com flores amarelas.

Desde de à muito que é utilizada como “chá para tudo” até como condimento, no famoso arroz de carqueja, que eu tenho de experimentar como “arroz integral de carqueja”.
Quando esta linda planta floresce, nós vamos lá…e colhemos.
 Trazemos para nós uma combinação de “coisas” que nos aumenta o saldo da Saúde, pela sua ação tónica e anti-inflamatória geral.
Sendo a maioria de todas as doenças inflamatórias, esta planta têm no nosso corpo uma ação vital, uma importância a levar em conta.
Vejamos, o quão importante ela é, e no que pode ajudar:
- Tem ação antibiótica.
- Pode ser empregue em problemas dermatológicos – beber o chá e aplicar na pele.
- Deve ser usada na diabetes e no colesterol alto.
- Tem propriedades anti-hipertensivas – baixa a tensão, assim como promove o bom funcionamento da circulação sanguínea.
- Apresenta efeitos na arteriosclerose e é ao mesmo tempo vasodilatadora e depurativa.
- É utilizada como digestivo, nas inflamações intestinais e como analgésico gástrico, útil nas azias.
- Indicada na obstipação.
- Gengivites.
- A sua decocção interessa a todo o sistema renal, para todas as afeções das bexiga, vias urinarias, antiespasmódico renal e muito importante no tratamento da nefrolitíase.
- Planta diurética.
- Protege o fígado das agressões – usada em todos os problemas hepáticos e da vesicula biliar.
- Devido ao seu poder anti-inflamatório deve ser tomada em todas as dores e inflamações.
- Tradicionalmente usada em problemas febris, como resfriados, gripes, catarros, bronquite, sinusite e irritações da garganta.
- Há quem a use para cefaleias e enxaquecas.
- Usada na gota e no controlo do ácido úrico.
- Como é tónica, deve ser tomada nas astenias e cansaços.
- É dona de compostos fenólicos.
Mas o que isto significa?
Os compostos fenólicos são compostos bioactivos com propriedades antioxidantes (protegem-nos frente aos radicais livres, que provocam o envelhecimento e outras enfermidades) que se encontram em frutas, legumes, cereais e chás.
E mais importante…há estudos que demonstram que muitos dos compostos fenólicos derivados das plantas - no caso a CARQUEJA - são antioxidantes mais eficientes in vitro, do que as vitaminas E ou C ou os carotenoides.
- Em 2004 foi feito um estudo, que mostrou a ação dos flavonoides da CARQUEJA como agente protetor das células endoteliais (células que formam a camada interna dos vasos sanguíneos) contra danos oxidativos.
- Em 2009, na Universidade de Aveiro, Vera Armanda Moreira da Silva para obter o Grau de Mestre em Biologia Molecular e Celular apresentou uma tese, onde estudou e comprovou os efeitos da carqueja (folhas e flores) sobre o fígado, baço e rim e a sua ação protetora após administrar um toxico. Este experimento foi feito em ratos.
A carqueja é um grande medicamento a ser usado.

Se você tem algum ou vários dos problemas acima referidos, não exi-te em tomar o chá de carqueja.
Experimente – durante 21 dias tome 3 chávenas por dias (sensivelmente meio litro), sem açúcar. E comprove os resultados.
Contra – indicações:
- A carqueja não deve ser tomada por pessoas muito magras.
 - É contra-indicada na pressão arterial baixa e nas hipoglicemias.
- Ao tomar esta planta, as pessoas com diabetes devem monitorizar os seus níveis de glicemia.
- A carqueja pode potenciar os efeitos dos anti-hipertensivos, da insulina e dos anti-diabéticos – controlar os valores.
- Pode acelerar a depuração de alguns medicamentos metabolizados no fígado, reduzindo assim o seu efeito farmacológico, da mesma forma que reduz os efeitos secundários dos fármacos metabolizados no fígado.

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TRATAMENTO DOS DIABETES

Tratamento dos diabetes!

Os diabetes são devidos ao excesso de glicose ou açúcar (glicémia) no sangue e aparecem por deficiência de funcionamento do Pâncreas; ou então devido a excessos e desequilíbrios alimentares.

"Dizem" que o chá de folha de maracujá silvestre é excelente tratamento para os diabetes.
A dosagem do chá deve ser controlada, juntamente com a dieta, para evitar queda acentuada do açúcar. Com o uso deste chá não se aconselha grande rigor na dieta. Cada um deve aprender a "dosear" o seu tratamento, controlando os efeitos.
Nas ervanárias, a folha de maracujá é designada como "passiflora", que também é excelente como calmante, sendo usada pelas pessoas que reagem mal à valeriana.

No Brasil, há quem use a casca do maracujá torrada e moída, espalhada sobre a comida, para não ter de fazer dieta para os diabetes.

A carqueja e o fel-da-terra (entre MUITAS outras) também são plantas indicadas para o tratamento dos diabetes.
De facto, há muitas plantas indicadas para o tratamento dos diabetes, como por exemplo: mirtilo (ou arando, ou arândalo), Alecrim, ginseng, Cavalinha, Copalchi, etc.
Diz-se que o uso de chá de flor de carqueja, tomado insistentemente, cura os diabetes recuperando completamente e função pancreática.

Um testemunho:
Tenho diabetes tipo dois, tomo metformina 850mg, mais fico mal do estomago, passei a tomar glibenclamida piorou pois além dos tremores me causa uma fome terrível acabei voltando para metformina, até que me disseram que o chá de quina baixava os níveis de glicemia, e não é que deu resultado, além de diminuir a vontade de comer doces?

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IURDTV.com - 17/09/2012 09:00





quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Pãozinho de tapioca. Ou quinta sem trigo 35

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Partindo da receita daquele pãozinho de tapioca que comi em Belém e mostrei aqui, quis experimentar fazer com a farinha de tapioca baiana. Antes, vale dizer que tapioca é o nome da goma, do polvilho, do amido da mandioca. Portanto tudo que leva o nome de tapioca deriva deste ingrediente e por isto há tanta confusão na hora de nomear as farinhas de tapioca que adquirem formas diferentes dependendo do lugar - na Bahia, são farinhas beijus (como um beiju de tapioca fininho e esmigalhado), no Acre as bolinhas são disformes e grandes como sagus; no Pará são bolinhas pipocadas e leves e há ainda a tapioca granulada, vendida em São Paulo - pedrinhas duras. E os sagus de mandioca também podem ser conhecidos fora daqui como tapioca (não é produto indígena e pode ser feito com outros amidos, conforme já mostrei aqui). 

Mas eu queira usar a farinha de tapioca de beiju que minha amiga Silvia Lopes trouxe de Salvador. Usei, deu certo, mas quis mexer na quantidade de leite, para ficar ainda mais macio. E cadê mais farinha para comprar? Não encontrei (embora já tenha visto uns flocos grandes de beiju no mercado da Lapa, que também devem funcionar). Então, para que ninguém venha me dizer que não pode fazer os pãezinhos porque não tem um mercado desses por perto ou uma amiga baiana disposta a carregar muambas, resolvi arriscar a fazer em casa a farinha tradicionalmente assada em grandes tachos. Tentei fazer com os pãezinhos com farinha beiju que tem no supermercado, mas não dá certo porque não é farinha de tapioca pura, mas simplesmente uma farinha de mandioca fina assada na forma de beiju, contendo, portanto,  fibras e outros elementos além do amido.  


Bem, o feitio caseiro da farinha deu muito certo e não é nada difícil. Você pode usá-la para fazer o pãozinho e também para fazer uma espécie de granola. Basta misturar com um pouco de coco e açúcar e levar novamente ao forno só para tudo ficar bem crocante. Fica uma delícia para comer com banana. Mas talvez eu volte a este assunto qualquer quinta dessas. 

Você pode me perguntar - ué, se molho 250 g de polvilho para obter 250 g de farinha de tapioca seca que será novamente umedecida, por que não usar simplesmente o polvilho seco? E eu lhe respondo: não é a mesma coisa, tem a ver com a gelatinização do amido que o modifica totalmente - e este é um assunto que caberia no caderno Paladar de hoje (assim como a influência direta da proporção amilose/amilopectina na viscosidade, transparência ou opacidade dos geis feitos com diferentes tipos de amido), mas para isto teriam que dedicar ao assunto mais algumas páginas. 

A farinha de tapioca  - se você não tem nem o polvilho, comece então plantando a mandioca e extraindo o amido (veja aqui). 

Esta farinha de tapioca, minha amiga trouxe de Salvador


Misture 250 g de polvilho doce com 120 ml de água - como se fosse
fazer tapioca. Já mostrei como fazer tapioca aqui











Coloque o polvilho úmido numa peneira e, pressionando com a mão,
espalhe-o sobre uma assadeira fazendo uma camada fina. 
Você vai precisar de mais de uma assadeira. Deixe no forno quente
até secar e trincar (uns 10 minutos)
Basta então recolher os flocos
Minha farinha de tapioca ficou assim 














Com a farinha comprada ou preparada em casa, agora é fácil fazer os pãezinhos que ficam leves, macios e um pouco pegajosos como pães de queijo - quando esfriam perdem esta liga e ficam fáceis de cortar. Mas o bom mesmo é comê-los quentes com café.  Como você pode ver nas fotos, deixei alguns sem nada de cobertura, enquanto nos outros coloquei tudo o que encontrei. Passei no queijo ralado, polvilhei fubá de canjica, empanei em ervas secas ou frescas, erva-doce, flocos de quinua, gergelim, pimenta etc.


No começo, a massa fica mole assim
Depois de uns 20 minutos estará mais firme 
Poderá ser moldado com as mãos
Invente coberturas. Basta passá-los sobre queijo ralado, pimenta, 
gergelim,erva-doce, flocos de quinua, linhaça, endro etc
Nestes não passei nada e num deles fiz um corte com estilete antes 
de assar

Pãozinho de tapioca 

25 g de manteiga em ponto de pomada (2 colheres de sopa rasadas)
1 1/2 xícara de leite (360 ml)
3 colheres (chá) de açúcar
1 colher (chá) de sal
1 ovo 

250 g de farinha de tapioca (mais ou menos 3 xícaras de chá) 
Obs: medidas padronizadas, sempre rasadas

Bata no liquidificador ou misture bem os cinco primeiros ingredientes e despeje sobre a farinha de tapioca. Misture bem, espere uns 20 minutos para hidratar os grânulos (teste para ver se os grânulos estão macios e se a massa tem liga para modelar) e então retire porções com cerca de 35 a 40 g (uma colher de sopa cheia), molde-os com as mãos em bolinhas ou cilindros.  Coloque-as numa assadeira untada e polvilhada com polvilho doce e leve para assar em forno bem quente (200 °C) preaquecido até que dourem, por cerca de meia hora.


Rende: 15 pãezinhos
Fica bem fofinho! 


Frutas Amazônicas parte 4

  - Bacuripari-liso, banana pacovã e cupuaçu

 
Sorvete da sorveteria Glacial - cupuaçu, graviola, açaí, tucumã e taperebá
Jenipapo e bacuripari-liso


Bacuripari-liso
O vendedor me deu uma para experimentar. Chupei, chupei, querendo mais, mas o resto era caroço. 1 a 3 sementes duras revestidas por uma fina camada de polpa macia, branquinha, levemente ácida (como a do bacuri do Pará, sendo este muito maior e carnudo). É isto que se chupa. Fiquei imaginando a dificuldade para se extrair a polpa para sucos. Só mesmo para rolar na boca e extrair o máximo que se consegue. Frutinha-diversão, passa- tempo infinitamente mais light que o biscoito com este nome. Demorei para identificar porque há vários tipos de bacurizinhos amazônicos. Mas acho que é este: bacuripari-liso, Rheedia brasiliensis ou Garcinia brasiliensis, de origem amazônica com ocorrência em mata pouco densa e que frutifica na região de Manaus de janeiro a maio. Mais uma fruta que peguei no fim de safra.



Banana pacovã

Na época do descobrimento, havia por aqui uma variedade nativa de banana chamada de pacova que, por ser brasileira, foi denominada posteriormente banana-da-terra. As outras variedades de banana, entre as quais a nanica ou banana d’água, chegaram ao Brasil com os africanos, possivelmente originárias do quente e úmido sudeste asiático. Fiquei impressionada com a quantidade, em Manaus, de banana-da-terra - pelo menos é assim que a chamamos em São Paulo uma variedade muito parecida, um pouco menor. Chamam por lá de pacovã, seu nome primordial. E com ela fazem friturinhas com canela e açúcar vendidas na rua, assim como os chips salgados em rodelas ou fatias linguarudas.
Comida de rua: friturinhas com banana pacovã

Cupuaçu (Theobroma grandiflorum)
São como os do Pará, do qual já falei aqui .

Frutas Amazônicas parte 3

  – Cubiu e Sapota-dos-Solimões


Cubiu verdolengo
Confesso com vergonha que não comi de verdade nenhuma das duas em Manaus. Cubiu comi aqui em São Paulo certa vez como Maná, seu outro nome. Mas aprendi uma coisa que deve valer para todos seres viajantes: quando passar por uma barraca de rua e vir uma fruta ou qualquer coisa diferente que desperte seu interesse, não deixe pra depois, achando que haverá mil delas mais à frente. Pode acontecer de nunca mais se deparar com a coisa até o momento de ir embora. Se deixar pra comprar no aeroporto, então, danou-se. E sabe-se lá quando vai voltar àquele lugar. Mesmo que seus companheiros de viagem te puxem pelo braço, desvencilhe-se à força, faça birra e pare pra comprar o que quer. Pode ser a última chance. O bom é já andar com dinheiro vivo no bolso e uma sacolona à mão quer você vá ao teatro ver a ópera ou tomar sorvete na Glacial da esquina (Glacial é a sorveteria mais famosa de Manaus). Ainda não sabia disto e só agora me dou conta do que perdi.


Cubiu maduro com gengibre - para curas Pelo menos perguntei o que era e pra que servia, já que todo mundo em alvoroço parecia se interessar demasiado pelo tal do cubiu. É de comer, perguntei. Não, é remédio, responderam. Pra quê? Diabetes, colesterol e o diabo. Tivessem respondido é de comer, teria comprado e reconhecido. Droga! Foi chegando aqui e consultando o livrão da Embrapa, Fruteiras da Amazônia, que percebi que já conhecia a fruta. Certa vez, comprei no Extra, com o nome de maná e até registrei minhas impressões - achei azedinha, boa para chutneys. Originária do Alto Orinoco e domesticada pelos ameríndios, está espalhada por toda a Amazônia – brasileira, peruana e colombiana. Olhando, assim, parece uma mistura de tomate, tomarillo e berinjela. É parente solanácea de todos eles e ainda do jiló, da pimenta e do pimentão. Não é fruta boa de se comer de bocada, mas vai bem em sucos e como tempero – assim como tomate – de cozidos de peixe e frango. Aliás, recebe nome também de tomate de índio, em Pernambuco, além topiro e tupiro no Peru; cocona, na Colômbia, Peru e Venezuela. Em inglês, atende por orinoco apple ou peach tomato.
A razão da panacéia chama-se niacina, uma vitamina do complexo B, na qual o cubiu é muito rico. A vitamina está envolvida em processos enzimáticos no nosso corpo, que inclui o metabolismo de gorduras. Por isto, dizem, faz baixar o colesterol, controla a glicemia, ácido úrico etc. Pelo nome dela “Solanum sessiliflorum”, não encontrei referências no pai dos burros da fitoterapia “Tratado de fitofármacos y nutracéuticos”, o que não significa que tudo isto não seja verdade, pois já vi pelo menos um estudo sério publicado na revista do Instituto Adolfo Lutz que comprova o efeito antiglicemiante com ratos. Por enquanto, vamos comendo, que, se não fizer bem, com moderação mal não faz. Já há plantação comercial do dito no Vale do Ribeira. Foi de lá que veio aquele que comprei no Extra e é só ficar de olho que logo teremos mais por aqui. No Mercadão deve até ter - é que faz tempo que não ando por lá.

Sapota-do-solimões

Goiabas com sapotas-do-solimões

Rambutão em cima, tucumã embaixo e sapota à direita Sapota-do-solimões foi uma das frutas que só vi duas vezes na viagem toda e sequer comprei uma para experimentar na calma do hotel ou para trazer pra casa. Era fim de safra. Sorte que numa das barracas de rua me deram uma lasca para provar. Mas o excesso de novidades era tanto que estaria mentindo se dissesse que me pareceu azeda ou assada. Não lembro. Sei que era gostosa, nem um pouco agressiva. Tampouco espalhafatosa no aroma como graviola, maracujá ou cupuaçu. Talvez docinha e discreta como um caqui.
A Quararibea cordata, ou Matisia cordata, que dá estes frutos, é uma árvore de porte alto que pode chegar a 20 metros. Parece ser originária da Bacia do médio e alto Solimões e está espalhada da cidade de Tefé, na Amazônia, até Peru oriental, Colombia e Equador. É chamada também de sapota-do-Peru em língua puquiniquim. Já na Colombia, é zapote ou chupa-chupa. E a danana é grande e bonita. Tem casca coriácea e polpa bem alaranjada, suculenta, com algumas sementes duras. Seu peso pode variar de 300 gramas a 1 quilo. Terei que voltar lá no ano que vem.